Havia um sonho debaixo da terra
constante como o dia,
raso à espera da noite.
Havia debaixo de quem erra
riso como num semblante;
instante que não se via,
raso à espera da foice.
Quem seria capaz
de regar, esperar e colher
o que já foi?
Havia debaixo da terra uma lembrança.
Havia em cima do túmulo um homem.
Havia acima, nas nuvens, um sonho
frio como uma serpente;
reza à espera do açoite.
Havia ali, um dedo desenhando um rosto.
Havia um rosto sepultando cedo
portas que germinariam,
abrindo caminho no seio da terra.

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